Parte integrante da transformação digital que hoje ganha contornos cada vez mais evidentes, a segurança das pessoas e das empresas é exigente e determinante para usufruir de todas as vantagens que o digital possibilita.
Os dados não deixam margem para dúvidas: Portugal está cada vez mais digital mas este é um longo caminho que só agora está a começar.
Segundo o programa Portugal Digital, em 2010 apenas 54% das famílias tinham acesso à Internet quando a média da União Europeia estava nos 68%.
Em 2021, foi verificado um aumento destes valores, dado que em Portugal, no ano de 2021, este valor passou para os 87%, tendo subido também a média europeia: 92%.
A promoção de um ciberespaço seguro e de confiança, onde os nossos direitos digitais são respeitados, é uma das principais prioridades nacionais e europeias.
Informações pessoais, contas bancárias, dados do cartão de crédito, a conta de email e das redes sociais, nenhum pormenor deve ser deixado ao acaso.
Por outro lado, é que quanto mais digital for a nossa sociedade mais exposta fica ao cibercrime.
Na opinião de Vanda de Jesus, diretora executiva do programa, este facto não deve ser visto como bloqueador de iniciativas: “As vantagens incontornáveis da digitalização compensam em muito os riscos que aprenderemos a controlar do ciberespaço. Percebemos claramente a sua importância e confirmamos que estamos no caminho certo.”
Portugal é pioneiro no desenvolvimento do selo de reconhecimento da maturidade digital – um dos catalisadores do Plano de Ação para a Transição Digital e uma das medidas do Plano de Recuperação e Resiliência – em que são reconhecidas a adoção de soluções e práticas digitais nas organizações nacionais.
Para Vanda de Jesus, “este modelo de certificação inclui a dimensão da cibersegurança, onde já contamos com três empresas piloto certificadas e serve já de framework de adopção e boas práticas para todas as que pretendam aderir”.
Por tudo isso acredita que está no caminho certo “ao apostar na certificação das nossas empresas”.
“A rotina é dos nossos maiores inimigos”
Isabel Baptista é coordenadora do Departamento de Desenvolvimento e Inovação do Centro Nacional de Ciber-Segurança.
Para ela, apesar de existirem várias vulnerabilidades em relação à cibersegurança, o factor humano continua a ser o mais frágil: “É preciso sensibilizar, trabalhar e formar as pessoas, ter a noção de que este problema é transversal e que diz respeito a toda a organização.”
Há, porém, conselhos básicos que podem ajudar a causa.
Ao contrário daquilo que se poderá pensar, este não é um assunto que se resolva apenas com tecnologia, é necessário alterar processos e práticas, ou seja é também uma alteração cultural pela qual todos temos que passar.
No passado dia 5 de maio celebrou-se o Dia Mundial da Cibersegurança, altura em que foi divulgado um estudo que indica que 23 milhões de pessoas tem como password “123456”, um código que também é dos mais utilizados entre os CEO.
Mas afinal, como deve ser contruída uma senha forte?
Isabel não tem dúvidas em afirmar que “se em casa temos a nossa porta fechada e trancada, com uma password deve acontecer o mesmo”.
Por isso, adianta algumas dicas que podem ajudar a construir uma senha segura e robusta: “Primeiro, deve ser longa e com vários caracteres, podemos substituir algumas letras por números, por exemplo, ou por uma arroba. Depois, não deve ser escrita em papéis ou agendas. Para além disso, as passwords pessoais e profissionais não devem ser iguais.”
Mas há mais: “A mesma regra vale para os logins: sempre que possível é importante utilizar vários logins e também o múltiplo fator de autenticação, como por exemplo, o número de telemóvel ou uma app.”
Para além disso, é importante ter em conta que a repetição e as rotinas nesta área são dos piores inimigos: “A rotina fica mecanizada e, seguidamente, é mais fácil alguém o repetir. É importante alterar as rotinas.”
Para saber de que forma pode seguir as boas práticas de cibersegurança em teletrabalho, a Centro Nacional de Cibersegurança disponibiliza um guia que explica tudo aquilo que está ao seu alcance fazer.